01 novembro 2011

Projeto prevê disponibilização de 600 bikes no Rio de Janeiro

A Prefeitura do Rio, em conjunto com a empresa concessionária Serttel e em parceria com o Banco Itaú, iniciou na última sexta-feira (28), o programa Bike Rio. Até 13 de dezembro serão instaladas 60 estações de aluguel de bicicleta em 14 bairros da cidade. Para marcar o início do programa, foram entregues 11 estações em Copacabana: Posto Seis, Sá Ferreira, Miguel Lemos, Cantagalo, Santa Clara, Dias da Rocha, Serzedelo Correia, Siqueira Campos, Copacabana Palace, Cardeal Arcoverde e Princesa Isabel.

O projeto foi idealizado pelo apresentador Luciano Huck, que participou de seu lançamento ao lado do prefeito da cidade, Eduardo Paes. Ele contou que a ideia surgiu no ano passado, após uma viagem para a Europa. "Quando retornei, liguei para o prefeito e falei: 'temos que fazer um projeto igual a esse aqui no Rio'. Como tenho uma relação com o pessoal do Itaú, liguei para eles falando sobre o projeto. Moro nessa cidade há 11 anos, e tenho visto in loco que de fato a bicicleta é um meio de transporte."

Para Angelo Leite, presidente da Serttel, valorizar a bicicleta como meio de transporte sustentável é o principal objetivo do projeto Bike Rio, contribuindo para a redução dos engarrafamentos nas áreas centrais das cidades e para a integração com outros meios de transporte. "Vale destacar também que a bicicleta foi eleita pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o transporte ecologicamente mais sustentável do planeta e o seu uso no dia a dia colabora para a diminuição da poluição nos grandes centros urbanos”, afirma.

A partir de dezembro, 600 bicicletas estarão disponíveis em pontos estratégicos nos bairros de Botafogo, Catete, Centro, Copacabana, Cosme Velho, Flamengo, Gávea, Humaitá, Ipanema, Jardim Botânico, Lagoa, Laranjeiras, Leblon e Urca. Alimentadas por energia solar, as estações e as bikes estarão à disposição dos usuários todos os dias da semana, das 6h às 22h. Para usar o sistema compartilhado, é preciso se cadastrar no site e adquirir o passe Samba, podendo optar pela mensalidade de R$10,00 ou pela diária de R$5,00, sem a necessidade de pagar qualquer valor adicional. Também é necessário se atentar às seguintes regras: a bicicleta pode ser usada por 60 minutos ininterruptos e quantas vezes por dia o usuário desejar desde que, após os 60 minutos, estacione a bicicleta em qualquer uma das 60 estações por um intervalo de 15 minutos.

As estações são interligadas por sistema de comunicação sem fio, via rede GSM e 3G, permitindo que estejam conectadas com a Central de Controle Samba 24 horas por dia, a fim de monitorar em tempo real toda a operação do sistema, garantindo a melhor distribuição das bicicletas nas estações. Além disso, haverá atendimento aos usuários via celular e call center, sendo que para destravar as bikes, deverão realizar uma ligação do telefone celular ou interação pelo aplicativo para smartphones.

O projeto também contará com oficina de manutenção para montagem e recuperação dos equipamentos e veículos especiais para distribuição das bicicletas, que são desenvolvidas pela Samba Transportes Sustentáveis e tem fabricação 100% nacional. As bikes pesam em torno de 15 quilos, possuem quadro em alumínio com design diferenciado, três e seis marchas, selins com altura regulável, guidão emborrachado, acessórios de sinalização, sistema de identificação e trava eletrônica.

O projeto Bike Rio faz parte do objetivo estratégico da prefeitura de incentivar o uso da bicicleta como transporte alternativo e foi idealizado para que os usuários possam percorrer trajetos utilizando a bicicleta no percurso completo ou integrando com outros meios de transporte. Atualmente o Rio de Janeiro tem 150 quilômetros de ciclovia, mas a intenção da prefeitura é chegar a 300 quilômetros até o final de 2012.

Informações no site www.movesamba.com.br

31 outubro 2011

Novo Maracanã já nasce velho

André Trigueiro*
 
O projeto do novo Maracanã confirma a exclusão de um item absolutamente importante para que qualquer projeto de engenharia do gênero possa ser chamado de “moderno e sustentável”. Apesar do variado cardápio de estádios de futebol espalhados pelo mundo com aproveitamento energético do sol, a caríssima obra de reconstrução do Maracanã – quase 1 bilhão de reais – ignorou essa possibilidade.

Estranho que isso tenha acontecido num país onde o sol brilha em média 280 dias por ano. Ainda mais estranho que isso tenha acontecido na cidade que sediou a Rio-92, que vai sediar a Rio+20, e que está situada na mesma faixa de exposição solar que Sidney, na Austrália, que se notabilizou por realizar os primeiros Jogos Verdes da História, inteiramente abastecidos de energia solar.

Cobri como jornalista os Jogos de Sidney em 2000 e lembro-me das imensas estruturas com placas fotovoltaicas que captavam energia solar para iluminar as competições no estádio olímpico, no Superdome e em todas as instalações esportivas. A Vila Olímpica com 665 casas se transformou no maior bairro dotado de energia solar do planeta. O porta-voz do Comitê Olímpico Internacional, o australiano Michael Bland, justificou assim os investimentos em energia solar: “Queremos fazer com que a energia solar se torne popular em todos os países. É ridículo que, na Austrália, todas as casas não usem um captador de energia solar. Temos os telhados, temos o sol, e os desperdiçamos. É um jeito estúpido de levar a vida”.

Que estupidez a nossa desperdiçar a imensa área das marquises do novo Maracanã – quase 29 mil metros quadrados – que poderiam abrigar um vistoso conjunto de placas fotovoltaicas capazes de gerar energia elétrica para até 3.000 domicílios. O custo varia de dez a vinte milhões de reais, dependendo da tecnologia empregada. Alguém poderá dizer: “É caro demais! Não vale a pena”. Mas será que a forma usual de comprar energia está valendo a pena?

Vivemos num país onde, segundo o IBGE, a tarifa de energia elétrica subiu mais do que o dobro da inflação oficial nos últimos 15 anos. A opção pelo solar – embora mais cara – oferece como vantagem a amortização do investimento em alguns poucos anos.

Alguém poderá dizer que a nova marquise – mais leve – poderia não suportar as tradicionais placas fotovoltaicas. Pois que se pensasse numa estrutura compatível. O que está em jogo é a possibilidade de tornar o estádio útil mesmo em dias que não aconteçam partidas de futebol. O Maracanã poderia ser uma usina de energia – ainda que com potência modesta – que além do benefício direto de gerar eletricidade, funcionaria também como elemento indutor de mais pesquisas e investimentos em energia solar no Brasil.

E quem disse que o custo de instalação de um projeto como esse só seria possível com recursos públicos? Se houvesse vontade política para promover inovação tecnológica no setor energético usando o novo Maracanã como garoto-propaganda, seria perfeitamente possível sondar o interesse de grandes empresas com know-how em energia solar que aceitassem instalar os equipamentos fotovoltaicos a custo zero, sem ônus para o governo. E o que essa empresa ganharia em troca? O direito de explorar a imagem do Maracanã como “estádio solar” graças à tecnologia oferecida pela empresa.

Alguém duvida que a imagem aérea do estádio tanto na Copa de 2014 quanto nas Olimpíadas de 2016 alcançará bilhões de telespectadores pelo mundo? É mídia espontânea, super-exposição positiva de imagem, e tudo aquilo que um bom negociador não levaria mais do que alguns minutos para convencer o investidor a botar a mão no bolso e bancar a ideia.

Com recursos públicos ou privados, o certo era fazer. Não basta instalar alguns coletores solares para aquecer a água do banho usadas pelos atletas nos vestiários. É pouco. Se os responsáveis pelo projeto do Maracanã marcaram um gol contra desprezando o sol, os estádios de Pituaçu, em Salvador, e Mineirão, em Belo Horizonte, terão a energia solar como aliada para a produção de energia elétrica. Acorda Rio! Maracanã sem energia solar é como o Rio sem praia. Infelizmente os cariocas continuarão usando o sol apenas para se bronzear.Símbolo da sustentabilidade por suas belezas naturais e por sediar grande conferências ambientais da ONU, o Rio de Janeiro continua com um Maracanã aquém do que merece.

*Este artigo foi publicado no jornal O Globo, 27/10/11
http://www.mundosustentavel.com.br/2011/10/novo-maracana-ja-nasce-velho/

27 outubro 2011

Mundo precisa reduzir 8,5% das emissões de CO2 até 2020, aponta estudo

Mundo precisa reduzir 8,5% das emissões de CO2 até 2020, aponta estudo
Ainda há tempo para manter o aumento da temperatura mundial abaixo do limite de 2°C adotado pela comunidade internacional, mas desde que o nível de emissões de gases causadores do efeito estufa diminua para 44 gigatoneladas de CO2 equivalente até 2020, em relação as 48 gigatoneladas emitidas em 2010 (redução de 8,5%).

A conclusão consta no estudo Emission pathways consistent with a 2 °C global temperature limit, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciência Atmosférica e Climática de Zurique e da Universidade de Melbourne. O trabalho analisou dois cenários de emissões de dióxido de carbono (CO2), nos quais foi constatada a necessidade da redução de emissões já mencionada para que a temperatura mundial deixe de superar o limite de 2ºC, o que evitaria mais escassez de recursos naturais, insegurança alimentar e migrações forçadas, por exemplo.

De acordo com o estudo, caso a redução de 8,5% das emissões fosse alcançada, a probabilidade da temperatura se manter abaixo do aumento de dois graus seria maior do que 66%. O trabalho pondera, entretanto, que manter o clima em um nível aceitável depende dos países, no que diz respeito ao cumprimento de metas de cortes dos gases.

O estudo alerta que os governos dos países demonstram um esforço insuficiente nesse sentido, uma vez que as emissões de CO2 aumentaram na última década. Os cientistas enfatizam que sem um compromisso firme para colocar em prática ações de mitigação das mudanças climáticas há um grande risco de que a temperatura mundial ultrapasse a média de 2ºC nas próximas décadas, o que resultaria em consequências devastadoras.

Entre o final de novembro e o início de dezembro, será realizada a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-17), em Durban (África do Sul). Durante a cúpula, os representantes dos países deverão discutir a possibilidade de elaboração de uma nova fase do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. No entanto, o que foi negociado até o momento indica que a chance de um acordo nesse sentido é pequena, uma vez que os governos das nações que mais poluem o mundo (China e EUA) se recusam a aderir a um novo tratado.

FONTE: EcoD

24 outubro 2011

Apenas 20% dos esgotos são tratados adequadamente no país

De acordo com estudo encomendado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil apresenta lentidão nas melhorias dos seus indicadores sociais, principalmente no que se refere a saneamento e aproveitamento de recursos hídricos.

A pesquisa, que resultou no Atlas Soci-Água 2011, foi realizada pelo IVIG, (Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais) e pela Coppe/UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas).

O estudo reúne um extenso levantamento sobre o aproveitamento hídrico no Brasil e das necessidades de buscar soluções diferenciadas para as periferias e zonas rurais, onde a situação é crítica. Os dados revelam que Brasília tem o melhor sistema de abastecimento e tratamento de água entre as capitais do país e que a rede de distribuição de água canalizada atinge 82% da população brasileira, sendo que deste tanto mais de 90% está na região Sudeste.

Além disso, a pesquisa constata que os índices de coleta de esgoto melhoraram bastante nos últimos anos e hoje atinge mais de 60% da população, embora apenas 20% do que é recolhido sejam tratados adequadamente.

Outro dado importante mostra que atualmente existem cerca de quatro milhões de áreas irrigadas no Brasil, o que representa menos de 3% da área plantada e que é baixo se comparado à média mundial que chega a 20%, estando as maiores áreas irrigadas na Índia, China, Estados Unidos e Paquistão.

O Atlas se trata de uma versão atualizada do banco de dados sobre saneamento e saúde, irrigação para a produção de alimentos e a produção de energia em usinas hidrelétricas no país. Sua primeira edição foi lançada em 2009 como resultado de três anos de pesquisa, que cruzou dados a respeito dos temas abordados com informações sobre educação, trabalho e rendimento, domicílios, famílias e outros aspectos demográficos.

20 outubro 2011

Carbon Disclosure Project: impactos das empresas brasileiras no clima

Por Efraim Neto, da Envolverde

O CDP (Carbon Disclosure Project) apresentou no EIMA 8 os principais resultados do relatório nacional sobre o impacto das empresas no clima em 2011 e chamou atenção para que as empresas desenvolvam sua governança climática. Entre as constatações do documento, está o aumento da competitividade climática nas empresas brasileiras.

De acordo com o relatório, a gestão de emissões de gases de efeito estufa desempenha um papel cada vez mais estratégico nas companhias nacionais e, atualmente, cerca de 85% das empresas afirmam possuir, pelo menos, um membro do seu board responsável pelo tema mudanças climáticas – contra 67%, em 2010.

“O relatório tem como objetivo discutir os impactos climáticos causados pelas empresas e apresentar as melhores práticas corporativas criadas com a intenção de diminuir tais efeitos”, afirmou Giovanni Barontini, presidente-executivo do CDP América do Sul.

Em 2011, 80 companhias brasileiras foram convidadas a reportar suas emissões e políticas de combate às mudanças climáticas. As empresas indicaram que ainda estão trabalhando o tema e que não se sentem aptas a responder adequadamente ao questionário.

Para Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da BM&FBovespa, esse relatório é uma tendência, sendo possível perceber seus reflexos no mercado e nas ações de governança corporativa. “A migração para este novo modelo já demonstra impacto valorativo nas ações das empresas”, assinala.

O projeto tem ampliado a cada ano, já que interessa a esses investidores conhecer o impacto ambiental provocado pelas empresas que recebem seus capitais e decidir onde alocar seus recursos.

A versão brasileira do CDP 2011 contou com a participação de 57 corporações, localizadas em território nacional, superando mais uma vez o número de signatárias. Com o apoio da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp) e do Banco Santander, o CDP analisou as iniciativas dessas empresas voltadas ao gerenciamento de carbono. Pela primeira vez, o relatório contou com a adesão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), administrando R$ 549 bilhões de ativos.

Fonte: Envolverde